Siga o Metaleiro!

Nunca foram consumidos tantos litros de coca cola litro como quando o heavy metal reinava sobre a terra. Nunca tantas cabeças bateram tanto. Nunca as calças foram tão apertadas. E as frases de guitarras coladas umas nas outras com tanta perfeição. Mas outras correntes de rock também eletrizavam a terra. E quando eu morava em Madrid, no final dos anos 80, eu ia pra tudo que era show: The Cure, Iggy Pop, Lou Reed, Elton John, Chick Corea, Status Quo, Robert Fripp, Bob Dylan, David Lee Roth, UB 40, The Pogues, The Mission, Ozzy Osbourne… E por que não Scorpions?
A boca de metrô mais próxima do ginásio onde ia rolar o show ainda era longe do ginásio. E eu não conhecia aquela parte da capital espanhola. E eu estava atrasado para o show. Dentro do metrô pensei: fudeu! Eu estava totalmente perdido.
Mas eis que surgiu no vagão onde eu estava… um metaleiro! Então eu disse para mim:
– Siga o metaleiro!
E uma perseguição implacável se iniciou pelas escadas do metrô, ruas escuras e desertas, e eu ainda pensei:
– E se ele não for ao show?
– Impossível! Respondi a mim mesmo. O corte do cabelo, a calça justa, a coca cola litro na mão e o andar apressado… Pois, claro, ele também estava atrasado.
De repente começaram a surgir mais e mais metaleiros e embora eu não fizesse parte da tribo eu não me senti um estranho no ninho. Senti minhas calças me apertando, meu cabelo de corte chanel voltando a ser comprido como antes, uma coca cola litro apareceu magicamente em minhas mãos e eu nunca bati tanto a cabeça na minha vida como naquele show do Scorpions em Madrid. Lembrando meu vinil deixado no Brasil, entrei no coro dos contentes gritando:
– “Blackout! I really had a blackout”…

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