Histórias Soltas – Parte IV – Mas que Falta de Imaginação!

O filme “Meu jantar com Jimi” (direção de Bill Fishman / 2003) conta a história da banda norte-americana The Turtles. A história, real, aconteceu no fim dos anos 60, e o filme mostra os momentos de glória dessa hoje quase desconhecida banda, que emplacou alguns sucessos, viajou para a então efervescente Londres e conheceu algumas das figuras mais célebres do mundo do rock da época como Jimi Hendrix, The Beatles, Graham Nash, The Moody Blues, Brian Jones, Frank Zappa e outros. Entre muitos momentos interessantes, o filme mostra uma cena em que Jim Morrison encontra os integrantes da banda The Turtles numa lanchonete, numa madrugada. Morrison lê uma crítica sobre a banda The Doors, referente a uma noite que os Doors abriram um show dos Turtles. A crítica dizia o seguinte:
“Dividindo o palco, os Doors, um quarteto de visual emaciado com um som interessante e original, mas com a pior presença de palco do que qualquer grupo de rock. Onde o cantor fica a maior parte do tempo de olhos fechados e o pianista fica curvado sobre o instrumento como se lesse mistérios nas teclas. O guitarrista vaga pelo palco a esmo e o baterista parece perdido, em outro mundo”.
Depois segue o diálogo – um dos caras do Turtles fala pra Jim:
– Talvez o “Times” não tenha entendido, cara.
– Quando o “Times” entender eu já estarei morto e enterrado. Responde Jim.
E da dobradinha EUA-Inglaterra vamos agora para nossa terra, numa historinha “made in Brazil”. Em uma palestra realizada há alguns anos em Natal, Galvão (poeta e letrista d’Os Novos Baianos) contou a história de um crítico que escreveu lá pelos anos 70, época áurea dessa trupe que revolucionou a mpb, que a música BESTA É TU (que se tornaria um clássico popular) “não iria pegar” porque era muito repetitiva.
Essas histórias sobre críticas me lembram uma velha canção de Rita Lee Jones: “Mas que falta de imaginação / Eu não! / Meu departamento é de criação!”

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