A razão não é dona do destino

Li em algum lugar uma associação entre o filme “Os Incompreendidos” de Truffaut e o livro “O Apanhador no Campo de Centeio” de Salinger. O filme completou 50 anos em 2009. O autor do livro morreu em 2010. Ambos falam da perda da inocência da infância, da revolta da adolescência, da inquietação da juventude. Eu acho que ainda não perdi essa inocência, essa inquietação. O que me faz falar sobre um livro que nem li. Às vezes tenho a sensação que todo mundo leu, menos eu. O que me dá um tempo de sobrevida, pelo menos meta-euforicamente falando, já que ainda posso sentir essa emoção adolescente ao despertar sensações de descoberta. Já o filme eu assisti faz poucos anos. Sempre é tempo de Nouvelle Vague. Lembrei dos meus 20 anos, descobrindo as coisas… As coisas dos outros – Leminski, Chacal, Arrigo Barnabé, “Makaloba”, “Morangos Mofados”, “Porcos com Asas”, “Feliz Ano Velho”, “Tanto Faz”… E descobrindo as minhas coisas – meu sexo, minha droga, meu rock and roll! Talvez eu seja um adulto ridículo insistindo nisso. Mas tomando conhecimento do nome original do filme, “Os Quatrocentos Golpes” (que é uma expressão idiomática francesa que quer dizer algo como viver aprontando ou pintar o sete), lembrei da música de Beto Guedes “A Balada dos Quatrocentos Golpes” (composição de Márcio Borges, Thomas Roth e Luiz Guedes): “Dentro de mim uma estrela arde no peito e derrama / Calma, coração, a razão não é dona do destino”…

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