Histórias Soltas – Parte I

Sempre tive dificuldades com monografias e afins. Respeito e entendo demais a linguagem acadêmica, a necessidade das pesquisas e suas normas. Mas acho um saco ter que ficar tendo que provar tudo – isso tá onde, em que livro, em que página, qual fonte específica, etc. Então aproveito aqui a informalidade da minha participação nesse blog para fazer um brainstorming sobre algumas histórias que sempre povoam minha mente, que eu li em algum lugar, vi num filme, que me contaram ou que eu mesmo vivi.
LEORNARD COHEN NA GRÉCIA
Quero começar lembrando um momento do documentário “I’m your man” sobre Leonard Cohen. Nesse documentário ele falou sobre um livro que escreveu durante um verão nas ilhas gregas e disse: “aquilo não foi um livro, foi uma insolação”. Acho essa frase genial. Passei a amar mais ainda Leonard depois disso.
AS MULHERES DE MANARA
Acho que vi na televisão: uma entrevista com o desenhista italiano Milo Manara. Sou fã de Manara e tenho alguns quadrinhos dele. Famoso por suas histórias eróticas e pela beleza das mulheres que ele desenha, o entrevistador perguntou qual o segredo dele desenhar mulheres assim tão impressionantes que fazem as pessoas acreditarem que são reais. Ele falou que dedica a maior parte do tempo ao entorno: a decoração do lugar, a cadeira, o lenço… a maior parte do tempo ele dedica a desenhar isso. As mulheres ele desenha muito rápido. Se o leitor acreditar no entorno no qual as mulheres estão inseridas, facilmente acreditará nelas.
EM TERRA DE REI QUEM TEM OLHO É CEGO!
Um causo que aconteceu em terras cearenses, numa praia quase deserta, num dia vazio e hoje já distante, pelas bandas da praia de Ponta Grossa (próxima a Canoa Quebrada). Foi num barzinho na beira da praia. Eu estava tomando uma cervejinha, olhando pro tempo ensolarado, essas coisas que a gente não enjoa. Pelo menos quem é do mar. A mesa vizinha “era composta” por um inglês e sua simpática namorada cearense. Ambos moravam em Fortaleza e tinham ido passear naquele dia pela chamada “Costa Leste Cearense”. Muita cerveja e uma conversa legal… até certo ponto, quando o inglês começou a demonstrar um ar de superioridade para com os nordestinos. Acho que o inglês pensava que nós éramos seus súditos. Até que nem tão súditos assim, e até a namorada do inglês, que eu me lembre, também rebateu alguns comentários pra lá de equivocados feitos por ele. Mas o que mais me chamou a atenção foi o comentário do dono do bar, um pescador local, orgulhoso de ser brasileiro e nordestino. Depois de uma série de comentários chatos sobre o Brasil e seu povo, feitos pelo inglês, o dono do bar falou:
– É estranho… Ele vem de uma terra que ainda tem rei, e ainda acha que é mais civilizado e adiantado que a gente!!!
O DIA EM QUE JOGUEI FUTEBOL COM GILBERTO GIL
Uma vez, na minha adolescência, em um domingo tranquilo na praia de Pirangi (onde eu e minha família vivemos uma experiência de décadas com a natureza), eu desci solitariamente para a praia e flagrei uma partida de futebol de Gilberto Gil e sua banda (que deviam estar hospedados na casa de Chico Miséria, que era bem próxima a nossa). Pois bem, eu tão fã de Gil vivenciei a fase dele dos dreads, quando ele fez a turnê nacional com Rita Lee do álbum “Refestança”, no final dos anos 70 – assisti ao show dessa turnê no Palácio dos Esportes e isso marcou minha vida. Como me marcou também essa história que estou contando agora. Fiquei sentado numa jangada vendo aquela partida de futebol extraordinária. Não tinha ninguém nesse trecho da praia. Só eu e a galera de Gil. Certo momento a bola veio em direção à jangada onde eu estava sentado e escutei aquela voz característica de Gil dizendo: “Ei, garoto, passa a bola”. Chutei a bola de volta pra Gil e quando subi lá pra casa cheguei gritando entusiasmado: “Joguei futebol com Gilberto Gil!”.
Depois conto mais.

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