Sonhos

Eu pensava que na prainha depois das pedras tinha um abismo e o mundo acabava ali. Lembro da vez que o ventou levou a bola na direção das pedras, e eu saí correndo desesperado atrás da bola com medo de chegar no abismo sem querer.
Conheci a luz prateada vendo as tainhas tentando pular a rede.
Oliveira instalava antenas e tinha um cinema. O cinema passava uns filmes de pornanchanchada e tinha censura para entrar. Mas a censura para entrar era ir de calça comprida. Então esse era o motivo de levar calça comprida para o veraneio.
Barroca cavava as cacimbas das casas em Pirangi. Era assim que a gente tomava banho – da água da cacimba. Eu gostava de puxar o balde d’água para tomar banho de água doce depois da praia. Eu quase não aguentava com o balde e a água já vinha se derramando pra todo lado. Mas um dia chegou a notícia: Barroca morreu cavando uma cacimba, soterrado. Desde então cacimba pra mim virou vertigem.
No final da tarde chegava a Kombi do pão, azul. Antes de ir ver o volleyball eu tomava banho e colocava meu perfume English Lavender Atkinsons e ia na Kombi comprar pão. Os sonhos faziam sucesso na Kombi. Não acho que os sonhos fazem tanto sucesso assim hoje.

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