Lúcifer

Apesar do título, a série da Fox não tem nada de aterrorizante. “Lúcifer” usa o tema do diabo apenas como uma nova moldura para as tramas policiais de cada episódio. E não tem pudor em apelar para todos os clichês do gênero. Ainda assim, pode ser uma boa diversão, desde que você queira apenas um entretenimento leve e despretensioso. Não é nenhum pecado, afinal.
Esse Lúcifer do título não é exatamente aquele da tradição religiosa. O personagem diabólico em questão vem de uma HQ da DC Comics, escrita por Mike Carey. E o roteirista responsável por essa adaptação para a TV é Tom Kapinos, que também tem Californication no currículo.
Depois de milênios no inferno, o entediado anjo caído se levanta, sacode a poeira, e se muda para Los Angeles, onde abre a casa noturna Lux. Na cidade dos anjos, conhece a detetive Chloe (interpretada pela bela Lauren German), que, misteriosamente, é imune aos seus encantos malévolos. Forma-se uma parceria improvável, na qual Lúcifer usa seus poderes para desvendar crimes. Previsivelmente, rola um clima entre a policial e o coisa ruim. O papel do protagonista é desempenhado com competência por Tom Ellis. E a química entre os dois funciona.
A série mistura seres celestiais e infernais de todo tipo, criando uma mitologia própria. Eles têm comportamentos tão humanos quanto os deuses gregos: brigam, traem, mentem, sentem ciúmes e até se apaixonam.
Uma sacada interessante é a ideia de dar contornos psicológicos à relação dos anjos e demônios com seus criadores. O foco principal é o ressentimento de Lúcifer – o filho rebelde – com seu pai, por quem se julga injustiçado. Para explorar ainda mais esse aspecto, entra em cena Rachael Harris no papel da Dra. Linda, a analista. Com ela, o tinhoso senta no divã e tenta entender a rejeição paterna. Esse pequeno “drama familiar” gera alguns dos momentos mais legais da série.
Resumindo: se você quer ver uma série para não pensar muito e até dar umas risadas, vale a conferida. A produção é bem feita e as duas temporadas disponíveis na NETFLIX seguem num crescendo bem bacana. É isso.
 

2 Comments

  1. Não entenda mal, eu até gosto da série. E acho que ela se propõe mesmo a entreter. Nisso é bem-sucedida, sem dúvida. Mas deixa essa sensação de déjà vu, como você mesmo disse. Quanto a Lesley-Ann Brandt, é uma falha imperdoável não mencioná-la. Leva qualquer um pro inferno. Super hot!!!

  2. Acho que você subestimou um pouco a série ;). Concordo com os clichês, porém acho que foram propositais. Meu olhar foi mais para: “os caras estão zoando um tema batido em um outro contexto, muito legal”, cruzaram The Mentalist com Constantine kkkkkkkk
    por favor nisso, Lúcifer tem um pouco de Patrick Jane não acha?
    De todo modo, achei uma série bem divertida.
    P.S: esqueceu de mencionar Lesley-Ann Brandt hooooot 😛

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