O Turco

O turco tomou o texto de assalto. Entrou na sala e foi logo dizendo:
– Se essa história é no interior tem que haver um turco!
E eu pensei: como é que esse turco sabia disso, se só agora que eu dei fé que a minha imaginação colocou ali uma porta e aquele povo todo olhando pra dentro dessa sala.
Cheguei na porta e tinha muita gente e juntando mais. Eu estava numa cidade do interior. Então perguntei:
– Que cidade é essa?
– O senhor não sabe? É São Francisco das Almas.
E o turco atrás de mim, parecendo alma e repetindo com uma voz engraçada:
– Seu Francisco das Almas?
Eu já vi que esse turco é novo no pedaço. Não tem nenhuma experiência em cidade do interior e já vem tirando onda. Que é que eu faço agora? Minha imaginação parece querer me abandonar. E o turco também. De repente o turco foi sumindo da sala, como se evaporando.
Pensei que o turco foi só um motivo, sei lá, algo passageiro para eu aqui ficar nessa cidade do interior. Olhei para fora e vi uma serra linda, um rio, uma mata, um circo, um terreno baldio, uma poça de lama.
– Choveu aqui?
– O senhor não sabe não? Choveu quando o senhor chegou, lembra não? Acabou de chover.
– É, tá um friozinho gostoso e um cheiro de café quentinho.
– Fiz agora, seu moço. Pode chegar.
Fiquei foi esperto e proseei tanto que não vi que o dia adormeceu.
Dormi tão bem, tão bem, no meio da sala, e nunca gostei tanto do meu velho cobertor. Acordei com os meninos me acordando junto com o galo:
– O senhor não vai continuar a história não?

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