O tempo não tem compaixão?

No tempo em que você me dizia te amo, todos os meus livros saíram da estante e as músicas, ávidas, viraram playlists em cds apaixonados. No tempo em que você me dizia te amo havia cds. Mas não acho que o spotify tenha alguma culpa nisso. No tempo em que você me diza te amo a gente via filmes juntos e para que o te amo quem sabe durasse mais tempo você achou melhor que a gente passasse a ver filmes separados. Mas não acho que o Netflix tenha alguma culpa nisso. Ainda há livros espalhados pela casa e à noite, às vezes, me avizinho de você e assistimos videos engraçados no celular por acaso. Você acha estranho eu continuar dizendo te amo, mas cada um que sabe sua fé de tentar continuar. Quando era affair parece que nem precisávamos ter fé. Tudo estava ali e a verdade é que é quase impossível a gente querer competir com aquele começo. Deveria ser sempre começo, uma vez você me disse e eu concordo. Pois no tempo em que você me dizia te amo o carro ia sozinho pra sua casa. Eu não tinha controle e a vida era qualquer canção, qualquer bobagem. No fundo eu sempre quis ser água de oceano. Ou no raso mesmo… Raso, às vezes riso, mesmo com tanta dor desertificando meu coração. Essa caninga de intempéries para o artista-esponja! Mas “sorte não há o que segure”, li uma vez. E eu continuo escutando vozes: eu sempre soube que você sempre quis o destino tortuoso dos ciganos. Te amo!

 

Posted in Caritisses.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *